A possível fusão entre a Gol e a Azul, duas gigantes do mercado aéreo brasileiro, tem gerado debates acalorados. A operação, caso aprovada, criaria um conglomerado com poder de mercado significativo, levantando preocupações sobre monopólio e aumento de preços para o consumidor.
Para Fernando Canutto, especialista em direito empresarial, a união das empresas poderia resultar em economias de escala e maior eficiência. “Contudo, o impacto positivo dependeria da efetiva integração das operações e da capacidade de gerar sinergias”, afirma Canutto.
Apesar dos benefícios potenciais, a fusão também acena com a possibilidade de demissões, principalmente em áreas administrativas e operacionais onde há sobreposição de funções. A nova empresa poderia investir mais em infraestrutura, tecnologia e atendimento ao cliente, adquirindo novos aviões e melhorando a experiência de bordo, segundo o especialista.
"A empresa resultante poderia se beneficiar de uma maior capacidade de investimento para melhorar os serviços oferecidos aos passageiros, como novos aviões, melhorias na pontualidade e na experiência de bordo", disse Canutto.
A fusão também poderia atrair novos investidores estrangeiros, dada a regulamentação do mercado aéreo brasileiro. Entretanto, a concentração de mercado geraria um possível monopólio em rotas importantes, como Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ).
"Isso pode criar desafios para os aeroportos em termos de negociações de tarifas, afetando também o setor público, que tem uma relação direta com a infraestrutura aeroportuária", alerta Canutto.
Com a redução da concorrência, o preço das passagens aéreas pode aumentar significativamente. Uma participação de mercado superior a 60% daria às empresas poder de fixação de preços. Além disso, o número de rotas e frequências de voos pode diminuir, especialmente em cidades menores.
"As duas empresas podem decidir consolidar operações em algumas regiões para otimizar custos, resultando em menos opções para os passageiros", explica Canutto.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analisará a fusão para avaliar possíveis danos à concorrência. A operação pode ser barrada ou sofrer ajustes caso o Cade considere que a nova estrutura prejudica os consumidores ou o setor como um todo.
Por fim, a concretização do negócio depende da conclusão do processo de reestruturação da Gol sob o Chapter 11, previsto para maio de 2024. Este processo visa reequilibrar as finanças da empresa, permitindo negociações com credores e reestruturação de dívidas.
O ex-ministro Fabio Wajngarten, conhecido por sua proximidade com o ex-presidente Bolsonaro e suas críticas ao atual governo Lula, expressou preocupação com a possibilidade de financiamento pelo BNDES para a aquisição da Gol pela Azul, conforme demonstrado em sua publicação no Twitter.
*Reportagem produzida com auxílio de IA






