A defesa da deputada federal Carla Zambelli levantou suspeitas de que o governo Lula estaria exercendo pressão sobre a Justiça italiana em relação à prisão da parlamentar. Em julho, o advogado Fábio Pagnozzi, responsável pela defesa de Zambelli, protocolou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a argumentação contra o processo de perda de mandato que tramita na comissão.
Na ocasião, Pagnozzi mencionou um possível "cerceamento de defesa" durante o julgamento de Zambelli no Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo que ela tenha uma nova oportunidade de ser julgada por outra turma do STF.
Tramitação do processo na CCJ
Com a tese de defesa já apresentada, o relator do caso na CCJ, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), deve emitir seu parecer, que será votado pelos membros da comissão. Garcia poderá se posicionar a favor ou contra a continuidade do processo de cassação.
A situação de Zambelli se complica com sua prisão na Itália desde 29 de julho. Em maio, a Justiça brasileira a condenou a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em colaboração com o hacker Delgatti.
No final de agosto, um parecer judicial embasado em um laudo médico de 19 páginas atestou que a deputada possui condições físicas e mentais para permanecer no sistema prisional, com acompanhamento terapêutico regular. A avaliação médica considerou o diagnóstico de transtorno depressivo e síndrome de Ehlers-Danlos, concluindo que o quadro clínico não representa risco de morte. O relatório médico detalha que, apesar do humor deprimido e distúrbios do sono, a paciente se mostrou lúcida e adequada durante a entrevista, recebendo tratamento e acompanhamento psiquiátrico constante.
Ainda segundo a médica, a greve de fome iniciada por Zambelli não impede sua permanência no presídio, uma vez que ela está recebendo hidratação e medicação regular. O parecer conclui que a parlamentar pode ser extraditada ao Brasil por via aérea, desde que acompanhada por uma equipe médica.






