Em um movimento para consolidar as relações bilaterais, o vice-presidente Geraldo Alckmin negou qualquer negociação em andamento para um acordo de livre comércio com o México. Em vez disso, o foco está na atualização de um acordo bilateral já existente, buscando aprofundar a integração entre as duas maiores economias da América Latina.
Segundo Alckmin, o objetivo principal é explorar a complementariedade econômica entre os dois países. Durante o encontro, foram celebrados avanços significativos no setor agro, com a abertura do mercado mexicano para produtos brasileiros como pêssego, aspargos e derivados de atum. Em contrapartida, o Brasil já havia aberto seu mercado para o abacate mexicano, além de farinha, bovinos e suínos brasileiros.
O México ocupa atualmente a sexta posição como principal destino das exportações brasileiras e é o sétimo parceiro na corrente de comércio total. Em 2024, o fluxo bilateral alcançou quase US$ 14 bilhões, impulsionado pelos setores automotivo, agrícola e de carnes.
Embraer no centro das atenções
A ampliação da cooperação na indústria de defesa também foi um ponto central das discussões. Alckmin ressaltou o interesse do México no cargueiro C-390 da Embraer (EMBR3), uma aeronave que já foi adquirida pelo governo mexicano em um lote de 20 unidades. A Embraer mantém uma operação relevante no país, com mais de mil colaboradores em sua fábrica local.
O vice-presidente defendeu o fortalecimento dessa parceria como forma de impulsionar a presença da empresa na região, aproveitando a sinergia entre as capacidades industriais dos dois países. Essa colaboração pode trazer benefícios mútuos, fortalecendo a indústria de defesa de ambos os países.
Saúde e inovação: avanços regulatórios
Na área da saúde, Brasil e México acertaram um avanço regulatório que promete acelerar a liberação de medicamentos e reduzir custos no setor farmacêutico. A partir de agora, os dois países passarão a reconhecer mutuamente etapas das análises conduzidas pela Anvisa e pela Cofepris, a agência sanitária mexicana.
"Queremos ganhar tempo no registro de fármacos. As fases feitas aqui serão válidas lá, e vice-versa. Isso antecipa o lançamento de medicamentos e reduz custos" - afirmou Alckmin, ressaltando o potencial de inovação e competitividade que esse mecanismo pode trazer.
Turismo e a COP30
O encontro também abordou medidas para facilitar o turismo entre os dois países, como a implantação de vistos eletrônicos, visando fomentar o intercâmbio comercial e cultural.
Alckmin aproveitou a oportunidade para convidar oficialmente a presidente Claudia Sheinbaum a participar da Conferência do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA) em novembro deste ano. O gesto demonstra o compromisso do Brasil em liderar a pauta ambiental e estreitar laços com vizinhos estratégicos no continente, buscando soluções conjuntas para os desafios climáticos globais.
A iniciativa de Alckmin de usar a Lei da Reciprocidade para acelerar as negociações com os EUA, como resposta ao "tarifaço" de Trump, mostra uma postura firme na defesa dos interesses brasileiros no comércio internacional. Essa medida busca destravar o diálogo após impasses diplomáticos, visando um acordo mais justo e equilibrado para o Brasil.






