O pregão desta terça-feira (26) apresentou um cenário misto no Ibovespa, com o índice demonstrando cautela em meio a turbulências externas e a divulgação de dados relevantes sobre a inflação no Brasil. A instabilidade em mercados globais, impulsionada por decisões polêmicas de Donald Trump e tensões geopolíticas, influenciou o desempenho da bolsa brasileira.
Abertura e Oscilações
O dia começou com o Ibovespa oscilando próximo aos 138 mil pontos. Investidores digeriram os números do IPCA-15, que apresentou deflação de 0,14% em agosto, um resultado ligeiramente acima do esperado pelo mercado. Esse dado, considerado uma prévia da inflação oficial, trouxe alívio, mas não dissipou as preocupações com a resiliência de alguns componentes, como os serviços.
No cenário internacional, a notícia da demissão de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), por Donald Trump, gerou ondas de choque. A medida, vista como uma afronta à independência do banco central americano, elevou a aversão ao risco e impactou as bolsas globais.
O próprio Lula manifestou preocupação com as ações de Trump, ecoando o sentimento de muitos investidores que temem uma escalada de tensões e protecionismo.
Dólar e Juros Futuros
O dólar comercial, após abrir em queda, inverteu a tendência e fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,435. Esse movimento refletiu a busca por segurança em meio à incerteza global. Já os juros futuros, que haviam iniciado o dia em alta, recuaram ao longo da sessão, acompanhando o alívio nos mercados internacionais.
Petróleo e Vale
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) perderam força ao longo do dia, influenciadas pela queda nos preços do petróleo. O Brent para outubro fechou em baixa de 2,30%, a US$ 67,22 o barril. A Vale (VALE3), por sua vez, ensaiou uma recuperação, mas não conseguiu sustentar os ganhos.
Cenário Externo
Além da polêmica em torno do Fed, os mercados acompanharam de perto as tensões na Europa, com a crise política na França pressionando as bolsas do continente. A possível eleição antecipada no país e as incertezas em relação aos planos orçamentários do governo Bayrou adicionaram mais um fator de preocupação ao cenário global.
Donald Trump também renovou suas ameaças à China, acenando com tarifas de até 200% caso o país não suspenda restrições à exportação de terras raras. Essa postura agressiva reacendeu os temores de uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Fechamento
O Ibovespa fechou o dia com uma leve baixa de 0,18%, aos 137.771,39 pontos. O índice BDRX, que reúne empresas estrangeiras com recibos negociados na B3, subiu 0,78%, enquanto o IFIX, índice de fundos imobiliários, avançou 0,23%.
O mercado brasileiro segue atento aos próximos capítulos da novela Trump vs. Fed, bem como aos desdobramentos da crise europeia e às negociações comerciais entre EUA e China. A agenda doméstica também reserva eventos importantes, como a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que deverá definir os rumos da taxa Selic.
Em meio a tantas incertezas, o investidor precisa redobrar a cautela e buscar informações consistentes antes de tomar decisões. Afinal, em tempos turbulentos, a bússola da racionalidade é o melhor guia.






