A disputa entre Colômbia e Peru pela ilha de Santa Rosa, situada na tríplice fronteira amazônica com o Brasil, escalou para um confronto militar após meses de tensões diplomáticas. A ilha, cuja posse é reivindicada por ambos os países, tornou-se o epicentro de uma crise que reacende um antigo litígio territorial.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, utilizou a rede social X para expressar sua disposição em dialogar com o Peru sobre a questão, propondo conversas na comissão mista de fronteiras, agendadas para 11 e 12 de setembro. No entanto, Petro foi enfático ao declarar:
"A Colômbia não aceita o ato unilateral de anexação da Ilha de Santa Rosa, por parte do Peru, porque isso significaria perder o acesso ao Rio Amazonas em Letícia" - afirmou Petro, demonstrando a firmeza de sua posição.
Em um movimento estratégico, Petro transferiu para Letícia a celebração de uma vitória colombiana contra a Espanha, evento que tradicionalmente ocorre a mais de mil quilômetros de distância, aumentando a pressão sobre o Peru.
Simultaneamente, o primeiro-ministro peruano, Eduardo Arana, acompanhado por ministros, visitou a região, enquanto a imprensa local noticiou um suposto sobrevoo de aeronaves militares colombianas em espaço aéreo peruano, elevando ainda mais a tensão.
Ocupação e Protestos
A crise se intensificou após a Colômbia acusar o Peru de tomar posse da ilha de Santa Rosa, que surgiu devido ao acúmulo de sedimentos do rio Amazonas em área considerada peruana por uma divisão territorial de quase um século.
Soldados do Exército peruano hastearam dezenas de bandeiras do Peru em toda a ilha, o que provocou a reação de Petro:
"Quero que me expliquem por que um helicóptero com militares chegou à ilha de Santa Rosa, se ainda não foi decidido que essa ilha pertence ao Peru" - questionou o presidente colombiano.
A região de Letícia já foi palco de um conflito armado entre os dois países em 1932. No ano seguinte, as forças peruanas se retiraram, e um tratado assinado no Rio de Janeiro ratificou um acordo anterior que garantia a ocupação colombiana da região. Segundo o El País, a crise atual teve início em 2024 e, após resolução diplomática, ressurgiu com novas tensões. Autoridades colombianas já haviam se queixado da ocupação peruana em reuniões bilaterais, e Petro acusou o Peru de violar o tratado sobre a região em suas redes sociais.
A situação exige atenção e diplomacia para evitar um conflito de maiores proporções na região amazônica.






