A recente elevação do imposto Ad Valorem pelo governo venezuelano e a crescente dificuldade na aceitação dos certificados de origem brasileiros têm gerado grande preocupação em Roraima, cujo principal parceiro comercial é a Venezuela. A medida impacta diretamente a competitividade dos produtos brasileiros, afetando empresários locais, agronegócio, empregos e a arrecadação estadual.
O governo de Roraima, liderado pelo governador Antônio Denarium, está em contato com o Ministério das Relações Exteriores e outras autoridades federais em busca de alternativas diplomáticas para preservar o equilíbrio da relação comercial entre os dois países. "A Venezuela é responsável por mais de 70% da movimentação externa registrada nos últimos anos", informou o governo, ressaltando a importância de se buscar soluções que não prejudiquem a economia local.
A Fier (Federação das Indústrias de Roraima) também se manifestou, iniciando investigações para entender por que os certificados de origem brasileiros não estão sendo aceitos. Em nota oficial, a Fier busca soluções “rápidas e eficazes” junto aos governos do Brasil e da Venezuela. A entidade ressalta que os processos de emissão e reconhecimento dos certificados seguem rigorosamente as normas da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e os termos previstos no Acordo de Complementação Econômica n° 69 (ACE 69), firmado entre os dois países.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também está ciente da situação e acompanha o tema em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que acionou a Embaixada do Brasil em Caracas. O MDIC está em diálogo com representantes do setor produtivo para reunir informações detalhadas sobre os casos reportados.
Impactos e possíveis soluções
A situação é delicada e exige uma resposta rápida e coordenada entre os governos brasileiro e venezuelano. A elevação do imposto Ad Valorem e a burocracia na aceitação dos certificados de origem podem desestimular o comércio bilateral, causando prejuízos para ambos os países. A Venezuela, que já enfrenta uma grave crise econômica, pode ter dificuldades em suprir sua demanda por produtos brasileiros, enquanto Roraima, que depende fortemente das exportações para o país vizinho, pode sofrer um duro golpe em sua economia.
Espera-se que as negociações diplomáticas entre os dois países avancem e que soluções sejam encontradas para evitar maiores prejuízos. A normalização do fluxo comercial é fundamental para garantir o desenvolvimento econômico de Roraima e para fortalecer as relações entre Brasil e Venezuela.






