Em um momento que uniu fé e reflexão sobre a vida pública, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), compartilhou suas perspectivas sobre política e corrupção durante um culto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, no último domingo, 22 de fevereiro de 2026. Sua mensagem, profundamente enraizada em valores religiosos, ecoou entre os presentes, provocando uma análise sobre os desafios éticos enfrentados por aqueles que servem à nação.
Baseando-se na passagem bíblica da tentação de Jesus no deserto, presente no Evangelho de Lucas, capítulo 4, Mendonça traçou um paralelo com as provações enfrentadas no dia a dia, especialmente no contexto político. Ele alertou sobre as sutilezas da corrupção, que muitas vezes se manifesta em pequenas concessões e transgressões, desviando os indivíduos de um caminho íntegro e de seus princípios. O ministro enfatizou que a busca por uma vida digna é legítima, mas jamais deve justificar atitudes que desrespeitem os valores morais e espirituais.
"Chegarão propostas para ganhar mais dinheiro de forma mais fácil. Pequenas concessões. Pequenas transgressões. Um corrupto não nasce corrupto. Ele rompe pequenas linhas, até que, quando percebe, já está distante de Deus. Você tem direito a uma vida digna. Mas não tem o direito de buscá-la desagradando a Deus." - advertiu Mendonça, durante sua pregação.
Ao abordar a ambição política, Mendonça reconheceu a nobreza do desejo de servir à sociedade como prefeito, governador, deputado, senador ou ministro. Contudo, ele questionou as motivações por trás dessa busca, incentivando uma autoanálise profunda sobre a quem se serve para alcançar tais posições. Essa reflexão, central em sua mensagem, ressaltou a importância da integridade e da ética como pilares de uma vida pública verdadeiramente dedicada ao bem comum.
Atuação nos Casos Master e INSS
Além de sua reflexão sobre ética e fé, Mendonça tem se destacado como relator de dois inquéritos de grande relevância no cenário nacional: o que investiga fraudes financeiras no caso Master e o de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sua atuação nesses casos demonstra seu compromisso com a justiça e a transparência, buscando garantir que os responsáveis por atos ilícitos sejam responsabilizados.
Em 12 de fevereiro, Mendonça assumiu a relatoria do caso do Banco Master, após a saída de Dias Toffoli, e agiu rapidamente para se inteirar do andamento das investigações. No dia seguinte, reuniu-se com os investigadores para obter um panorama completo da situação. Na quinta-feira, 19 de fevereiro, determinou a retomada do "fluxo ordinário" das ações de perícia e tomada de depoimentos, alterando uma determinação anterior de Toffoli. A recente decisão demonstra seu empenho em dar continuidade às apurações, buscando a verdade e a justiça no caso.






