Na última quarta-feira, 14 de junho, o clima já tenso da acareação entre Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara no STF (Supremo Tribunal Federal) esquentou ainda mais. O ministro Alexandre de Moraes, conhecido por sua postura rigorosa, interrompeu a sessão para tomar uma atitude drástica: mandou verificar o celular do advogado Marcus Vinicius de Camargo Figueiredo.
A suspeita? De acordo com Moraes, Figueiredo, que defende o general da reserva Mário Fernandes, poderia estar gravando a sessão, o que é expressamente proibido. A ordem foi cumprida por um segurança, elevando a tensão no ambiente.
Fontes presentes na audiência relataram ao jornal Folha de S.Paulo que o incidente ocorreu após Cid e Câmara mencionarem Mário Fernandes como o autor do polêmico plano Punhal Verde e Amarelo. O advogado tentou, então, apresentar uma questão de ordem para discutir a relação entre o monitoramento de Moraes e o tal plano.
O Confronto
Moraes, no entanto, não permitiu, argumentando que não era o momento para questionamentos da defesa. Em seguida, foi ainda mais incisivo, afirmando que Figueiredo não deveria sequer estar participando da sessão. O advogado, em um misto de obediência e protesto, entregou o aparelho, informou a senha e exigiu respeito do ministro, que respondeu pedindo reciprocidade.
No fim da acareação, Moraes fez questão de registrar em ata a negativa à questão de ordem. Figueiredo, por sua vez, deixou o local sem dar declarações. Até o momento, nem o ministro nem o advogado se pronunciaram sobre o episódio, segundo a assessoria do STF.
O Plano Punhal Verde e Amarelo
Mário Fernandes, ex-assessor no Planalto durante o governo Bolsonaro, está preso sob a acusação de ser o mentor do plano Punhal Verde e Amarelo, que supostamente previa o assassinato de Moraes, Lula e Geraldo Alckmin. Ele nega veementemente qualquer envolvimento, alegando que o plano não passava de um "pensamento digitalizado".
Após a acareação, a defesa de Marcelo Câmara declarou que o monitoramento de Moraes, em 2022, teria sido uma ordem direta de Bolsonaro. O advogado Luiz Eduardo Kuntz explicou que a defesa solicitou o esclarecimento de que o segundo monitoramento, no final de dezembro, não tinha relação com a Operação Punhal Verde e Amarelo.
Os Depoimentos
Mauro Cid, em seu depoimento, relatou ter recebido dois pedidos de monitoramento de Moraes. O primeiro, entre 16 e 22 de dezembro de 2022, teria partido do major Rafael de Oliveira, apontado como um dos idealizadores do plano. O segundo, do próprio Bolsonaro, que suspeitava de encontros secretos entre Moraes e Hamilton Mourão em São Paulo.
Questionado sobre o conhecimento de Câmara a respeito da origem dos pedidos, Cid admitiu a possibilidade de o coronel estar ciente do segundo pedido, que envolvia diretamente o então presidente.
"Porque a segunda [ordem de monitoramento] tinha a ver diretamente com o presidente. O que ia acontecer com o presidente, possivelmente, o coronel Câmara estava sabendo" - afirmou Cid durante a audiência.
Câmara, por sua vez, negou qualquer monitoramento de Moraes ou uso indevido de informações, alegando que apenas respondeu às perguntas feitas por Cid. O ex-ajudante de ordens também afirmou desconhecer o plano Punhal Verde e Amarelo e a suposta "minuta do golpe", que teria sido apresentada a Bolsonaro por Filipe Martins.






