A imposição de novas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, soou como um trovão em céu de brigadeiro para a economia nacional. A medida, que leva a assinatura do ex-presidente Donald Trump, já acendeu o sinal de alerta entre economistas e diplomatas, que preveem impactos negativos na balança comercial e nas finanças do país.
De acordo com analistas da XP, o tarifaço de Trump pode causar um rombo de até US$ 16,5 bilhões nas exportações brasileiras já em 2026, com um impacto direto na redução do PIB em até 0,5 ponto percentual.
A decisão gerou revolta em Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e diplomata de carreira. Em entrevista ao InfoMoney, Ricupero não poupou críticas à medida e à justificativa utilizada para implementá-la, que associa as tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Isso tende a unir a sociedade brasileira em defesa do país e pode até enfraquecer uma eventual candidatura de Bolsonaro ou de algum familiar nas eleições do ano que vem" - avaliou Ricupero, em entrevista ao InfoMoney.
O ex-ministro, que também atuou como embaixador do Brasil na Itália durante o governo Fernando Henrique Cardoso, classificou a atitude como "absurda e irracional", ressaltando que o Brasil não deu motivos para tal retaliação. Ricupero questionou a lógica de associar a medida ao presidente Lula, argumentando que ele não possui influência sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal.
Ainda assim, o diplomata mantém um fio de esperança, ponderando que nem tudo que Trump anuncia se concretiza.
"Sabemos que, muitas vezes, as coisas que Trump anuncia acabam sendo adiadas ou não se concretizam" - disse Ricupero.
Para ele, ainda há tempo para uma solução diplomática que reverta a decisão.
Recomendações e Análises da XP
Em meio a esse cenário de incertezas, a XP lançou o relatório "Onde Investir em 2025 – 2° semestre", com recomendações para renda fixa, ações e fundos, além de projeções macroeconômicas. O guia, que é gratuito, busca auxiliar o investidor a se posicionar diante da volatilidade do mercado.
A XP também divulgou suas projeções para os resultados corporativos do segundo trimestre, com destaque para a C&A (CEAB3), que deve apresentar um desempenho sólido, e para a JBS (JBSS3), que pode ter um trimestre mais fraco. A temporada de balanços tem início oficial em 23 de julho.
Empresas Brasileiras Mais Vulneráveis
A Embraer (EMBR3) lidera a lista de empresas brasileiras mais vulneráveis ao novo tarifaço dos EUA. Outras empresas com exposição relevante incluem Suzano (SUZB3), CBA (CBAV3), Alpargatas (ALPA4), Minerva (BEEF3), Jalles (JALL3) e Tupy (TUPY3). O setor de óleo e gás, por sua vez, pode redirecionar suas exportações.
Outras Notícias Relevantes
Ainda no cenário econômico, a nova tarifa social de energia, em vigor desde 5 de julho, beneficia 60 milhões de pessoas com gratuidade na conta de luz para consumo mensal de até 80 kWh. A medida faz parte da MP 1300/2025 e pode reduzir a inadimplência, com impactos positivos para empresas do setor.
No mundo dos investimentos, Morgan Housel, autor do best-seller "A Psicologia Financeira", marcará presença na Expert XP 2025, que será realizada nos dias 25 e 26 de julho em São Paulo. O evento é considerado o maior festival de investimentos do mundo.
Artur Wichmann, CIO da XP, defende a diversificação internacional como chave para o segundo semestre, e a XP atualizou suas recomendações de alocação global para julho, considerando o cenário macroeconômico internacional.
Por fim, a XP revisou suas estimativas e preços-alvo para o setor de shoppings, com projeções de R$ 29,50 por unit para Iguatemi (IGTI11), R$ 35 por ação para Multiplan (MULT3) e R$ 27 para Allos (ALOS3). A resiliência operacional segue como principal motor de crescimento para o setor em 2025.






